
No Diário de Notícias do passado dia 2 de Maio, foi publicada uma reportagem sobre o desemprego no futebol, da jornalista Sílvia Freches. Como tal, não podia deixar de a comentar na bola de sonhos...
Várias histórias foram contadas neste trabalho... todas elas com capítulos semelhantes e com finais ainda sem fim. Ficou bem claro que a profissão de jogador de futebol não é uma profissão que garante futuros risonhos e desafogados (será que alguma vez garantiu?), destruindo o mito de que a maior parte dos jogadores vivem bem.
Percebe-se, claramente, que os jogadores não estão preparados para estas situações e que existem diversas lacunas no seu processo formativo. Estes novos desempregados não sabem como (re)agir a esta nova situação, pois foram formados para saber lidar com o sucesso e o insucesso desportivo (em termos de vitórias e derrotas da equipa que representam) e não o pessoal. O desemprego neste deporto aparece quase como um assunto tabu. Isto é, pode até ser abordada a possibilidade de não se tornarem profissionais, mas não a de se tornarem desempregados enquanto jogadores de futebol. Daí que muitos jogadores em situação de desemprego não assumam essa condição, bem como demonstram desconhecer os procedimentos para usufruir do subsídio de desemprego.
E porquê? Porque grande parte dos clubes que formam jovens jogadores tem ainda a única e objectiva preocupação de formar apenas atletas de futebol, negligênciando a formação de cidadãos, com competências ao nível social, pessoal e profissional que lhes permitam no futuro fazer face, de forma mais equilibrada, às situações de crise, como as descritas nesta reportagem.
Sem saber muito bem o que fazer, alguns optam por ir concluir os estudos (que também ficaram negligênciados durante a formação desportiva), através do Programa Novas Oportunidades, enquanto aguardam pela colocação num novo clube; outros arriscam emigrar...
O que me parece (mais uma vez) é que ainda há muito a fazer na formação de jovens atletas de futebol, por forma a minimizar estas consequências e a prever outros futuros profissionais. O trabalhos nas bases é essencial e, de facto é de pequenino, se torce o pepino!
