Foi lamentável o que aconteceu este fim de semana em Alcochete: um jogo entre as equipas de juniores do Sporting e do Benfica foi interrompido devido à violência dos adeptos dos dois clubes.Digo dos dois clubes, pois quando falamos em violência no desporto não podemos "pedir responsabilidades" a só uma das partes. A violência é socialmente construída e fruto de uma interacção social..., não é?
O que mais surpreende (e preocupa) são algumas das justificações para a violência, dada pelos dirigentes: as condições do espaço onde o jogo se estava a realizar! Francamente! Então será que agora por um campo de futebol não ter condições (e aqui há que ter em conta os critérios que limitam o ter e não ter condições), parte-se para a violência? Será que pretendem que a escolha dos campos passe a ser baseada no nível de violência que esse jogo vai proporcionar?
Parece-me uma visão demasiado redutora, para o problema da violência no desporto. Parece que se toma a violência como um dado adquirido, como algo imutável e inerente ao futebol. Não, não é. E há muita coisa que se pode fazer para alterar estas perspectivas facilitistas de quem dirige e organiza o futebol. Porque não criar departamentos nos clubes, que funcionem como mediadores na relação com os adeptos e as claques organizadas?
Foi um dia triste para o futebol de formação e para aqueles jogadores, que disputavam um jogo decisivo e que, possivelmente para muitos, seria o último enquanto jogadores de um grande clube.
