deambulações sociológicas acerca do futebol

terça-feira, 31 de março de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Precisa-se de uma "chuva de ideias" para o futebol português!


O "Pós e Contras" da passada 2.ª feira propunha-se a discutir a crise do futebol português: a crise financeira, a crise desportiva e a crise social do desporto-rei. Perante tal propósito advinhava-se um debate enriquecedor, atraente e impulsionador de reflexões que pudessem vir a contribuir para a tão ansiada reestruturação do futebol. Mas não. A troca de ideias prevista foi a maior parte do tempo substituída pela dicussão da final da Carlsberg Cup... Um"Prós e Contras", com mais contras do que prós:


- A jornalista e mediadora do debate, Fátima Campos Ferreira, deveria ter "estudado" um pouco mais o quadro organizacional e conceptual do futebol...

- De lamentar a não presença da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, da Federação Portuguesa de Futebol e de algum organismo representante do Estado Português (a Secretaria de Estado do Desporto, por exemplo). Se estes três organismos, detentores do capital organizacional e social do futebol nacional, não estão presentes em momentos como estes, em que se procura uma discussão híbrida de ideias e onde poderão demonstrar os seus propósitos neste âmbito, o que poderemos pensar? Que existe demasiada inércia nestas instituições? Talvez...

- E se estávamos à espera que, mesmo sem a presença destas três instituições desportivas, o debate fluísse de encontro aos objectivos do programa, eis que chega Filipe Soares Franco e o debate passa a centrar-se na final do passado Sábado...

Mesmo perante as circunstâncias adversas, a discussão lá ia surgindo, sendo apresentadas, pelos diferentes intervenientes, algumas razões e algumas consequências da crise do futebol português:
* Contextualização na crise financeira mundial;

* Avultados ordenados dos futebolistas de elite;

* Diminuição das receitas de bilheteira dos clubes, fruto da falta de adeptos nos estádios. E porquê? Porque há ao mesmo tempo uma diminuição do poder de compra dos portugueses, um aumento dos preços dos bilhetes para os jogos, execessiva trasmissão dos jogos na televisão, ... inúmeras razões poderão ser apontadas;

* Salários em atraso e falência dos clubes, que por sua vez gera desemprego tanto para os jogadores como para os restantes técnicos que desempenham funções nos clubes;

* Falta de trabalho conjunto e consensual entre os três principais clubes do campeonato nacional, em prol do desenvolvimento da competitividade necessária;

* Necessidade clara de um diagnóstico das necessidades emergentes no futebol português, quer a nível organizacional, com desportivo e social. Só assim se torna possível a elaboração de um modelo sustentável para o seu desenvolvimento;

* Falta de um mercado interno, na medida em que apenas o FCP, SCP e o SLB apostam na formação de talentos, o que se repercute no baixo número de transferências de jogadores portugueses;


Portanto, precisa-se de uma "chuva de ideias" para o futebol português! (Há quem as queira desenvolver, mas o Governo deverá também desbloquear e facilitar o desenvolvimento de projectos de investigação e análise das várias áreas que constituem o futebol português. Mas infelizmente, não é o que tem acontecido...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quando os sonhos se desvanecem...

Hoje estou em baixo... queria tanto trabalhar na área do desporto...tanto investimento académico e as oportunidades demoram a surgir...

Claro que não me posso queixar, tenho trabalho e gosto do que faço, mas não é "aquilo", não é a bola dos meus sonhos... procuro, procuro e a oportunidade não me encontra... enfim.

Mas não desisto, claro, tal como todos aqueles que têm sonhos, não podem desistir! Como tantos míudos que sonham ser grandes jogadores de futebol e com um estádio a gritar o seu nome!

Mas lá está, como sempre defendi nas minhas deambulações académicas esses sonhos têm de ser geridos, balizados, tal como o meu, de trabalhar num departamento de futebol e formação! Sonhos orientados e equilibrados, mas sempre alimentados! E é isso que tento fazer!

P.S: Parece que me faz bem escrever desta forma! ;)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A transformação simbólica do atleta profissional

Contemporaneamente coexistem, no nosso entender, três formas de estar no futebol: como espectador, como atleta amador, que pratica pelo prazer do desporto, e como atleta profissional, que procura no futebol o seu meio de subsistência. É neste terceiro caso que centraremos a nossa análise, a partir deste momento.

O crescente número de indivíduos que anseiam tornar-se jogadores de futebol profissionais é bastante vísivel contemporaneamente. Os treinos de captações de grandes e pequenos clubes estão sempre com a lotação esgotada: milhares de crianças e jovens procuram que alguém os veja e os ajudem a concretizar o sonho que os move.

Mas porque razões se verifica esta ânsia de ser jogador de futebol profissional? Consideramos existir diversas e distintas razões: é quase inquestionável o prazer que este desporto provoca aos seus praticantes, motivado pelas pelas suas características de desporto colectivo e que pode ser praticado com escassos recursos materiais. Contudo, as significativas transformações que o futebol sofreu, tornando-se num negócio mundial, tornou os seus praticantes profissionais em indivíduos com um estilo de vida desejado por muitos, sendo isto uma repercursão da economia capitalista dominante. Mais uma vez, também este fenómeno social vem confirmar o futebol como uma personificação da sociedade em que vivemos: “os grandes atletas se transformaram em mega-stars e são pagos não apenas para competir, mas para fazer propaganda de empresas e de produtos. (...) o esporte espectáculo tornou-se num grande negócio e está definitivamente inserido na economia capitalista” (ibidem:74).

Como tal, o futebol contemporâneo passa assumir, para além das características associadas ao capitalismo, como são a mercantilização ou a empresarialização, características associadas ao espectáculo e à mediatização. De facto, um jogo de futebol é hoje, claramente, um espectáculo que vai para além das performances desportivas, pois envolve muito mais do que isso: é preciso ter em conta toda a mediatização à volta dos atletas, que ultrapassam os noventa minutos de jogo e que se revelam nas campanhas publicitárias, no interesse da opinião pública nas suas vidas privadas, nas transações de um clube para outro, etc. De facto, “quando nos propomos a estudar as relações econômicas do esporte num mundo globalizado, estamos pensado em mercados desportivos de distintas naturezas, cujas dinâmicas se fundamentam na generalização de um estilo de vida que contempla o consumo de diferentes elementos do universo desportivo” (ibidem:102).

Tendo-se tornado num fenómeno globalizado e mediatizado, o futebol transformou os seus praticantes em personagens simbólicas que servem de guia a muitos projectos de vida ou simplesmente funcionam como símbolos de um clube, de uma região ou país, sobre os quais os indivíduos depositam confiança e expectativas na obtenção de vitórias que os superiorizem a outros. Tal como defende Proni (1998:101), “o esporte-espectáculo é visto sobre o prisma da “pós-modernidade”, isto é, da perspectiva da construção de novos ícones e modelos de comportamento no interior de um campo cultural – o esporte – que se distanciou dos valores “modernos” que o haviam configurado e lhe deram significado”. Paralelamente, será, pois, no seio dos desportos que acompanham de uma forma mais próxima o desenvolvimento e as novas configurações da sociedade contemporânea, como é o futebol, que irão emergir esses atletas-referência.

A transformação do futebol num mercado globalizado manifestou-se em todas as suas vertentes, desde a comercialização de artigos desportivos, da participação em campanhas publicitárias, até à própria comercialização dos próprios atletas. Consequentemente, toda esta nova dinâmica económica associada ao futebol leva a que haja uma “generalização de um estilo de vida que contempla o consumo de diferentes elementos do universo desportivo” (ibidem:102). Fruto ainda da profissionalização deste desporto e da sua transformação empresarial, o futebol reforçou o seu impacto simbólico na sociedade de massa, sabendo que desde sempre foi o desporto preferencial de muitos, importando ressaltar que “o sucesso do futebol profissional, enquanto espectáculo de massa, esteve intimamente relacionado tanto à sua preferência como principal opção de lazer colectivo das camadas médias e baixas da população urbana quanto à ascensão social que ele proporcionou – ascensão social não só para os negros, e certamente não para todos que se aventuvam em praticá-lo profissionalmente” (ibidem:193).

Deste modo, “os determinantes que mais directamente influíram na estruturação do futebol profissional dizem respeito (a) à vida social e política da nação; (b) ao prestígio social que os dirigentes esportivos adquiriram ao comandar uma campanha vitoriosa; (c) ao aparecimento de uma nova carreira profissional; e (d) ao papel que os heróis da bola passaram a representar no imaginário popular” (ibidem:194).

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Academia do Sporting em Oiã

Academia do Sporting abre pólo em Oiã. Será que o surgimento deste tipo de pólos de formação evitará o afastamento precoce da família, de alguns jovens atletas...?

http://desportoaveiro.blogs.sapo.pt/1797234.html

O Desporto e a Escola – contribuições do Estado para a conciliação


Torna-se indispensável, num momento em que o desporto assume uma importância crucial na vida de muitos jovens como possível carreira profissional, a existência de legislação específica que ajude estes atletas a conciliar a vida académica com a vida desportiva.
Desde já, importa alertar que apenas têm benefícios reais aqueles estejam abrangidos pelo estatuto de alta competição, estatuto esse que um atleta poderá usufruir a partir do momento em que atinge determinados resultados desportivos, de dimensão internacional.

Sendo assim, a partir do momento que um atleta obtém o referido estatuto passa a usufruir de medidas de apoio no âmbito do seguro desportivo e do regime escolar. Nesta análise centrar-me-ei apenas no regime escolar, que se encontra ao abrigo das medidas no capítulo III do Decreto-Lei n.º 125/95 de 31 de Maio. O Instituto do Desporto tem, neste regime, um papel de mediador entre o atleta e o sistema de ensino. Cabe a esse Instituto “comunicar, no início do ano lectivo, aos estabelecimentos de ensino a integração de alunos seus no sistema de alta competição” (art.9º), de modo a que a escola passe a ter em conta nas suas actividades lectivas a existências desses alunos abrangidos por um regime especial. Por outro lado, cabe igualmente ao Instituto do Desporto “comunicar às federações desportivas as informações que lhes sejam transmitidas pelos estabelecimentos de ensino relativas ao regime e ao aproveitamento escolar dos praticantes em regime de alta competição” (idem). Considero que esta troca de informações é de extrema importância para a criação das condições necessárias para o desenvolvimento equilibrado, dos jovens atletas, em termos escolares e desportivos. Só assim os próprios atletas se sentirão motivados para a prossecução dos estudos, já que sentem que existe uma preocupação de todas as partes para tal.
Continuando esta análise deste capítulo, no qual decorrem as considerações sobre o regime escolar, tomamos conhecimento que, em termos de faltas e frequência nas aulas também existem medidas facilitadoras para a conciliação da vida académica com a vida desportiva dos jovens atletas. Assim, verificamos que “aos praticantes em regime de alta competição que frequentam estabelecimento de qualquer grau de ensino devem ser facultados o horário escolar e o regime de frequência que melhor se adaptem à sua preparação desportiva” (n.º1 do art.11º) e em que se pode admitir “a frequência de aulas em turmas diferentes, bem como o aproveitamento escolar por disciplinas” (idem). Existe também uma legislação específica em relação às datas das provas de avaliação, como se verifica no artigo 13º. As datas das provas deverão ser marcadas, em especial aos alunos abrangidos por este regime, tendo em conta as competições em que participam, sendo essas datas de competições sempre fundamentadas numa declaração passada pelo Instituto do Desporto à escola.
Cada aluno em regime de alta competição deverá ter um docente que acompanhará a evolução do seu percurso escolar, tendo a função de detectar eventuais dificuldades, bem como propor medidas para a sua resolução (artigo 15º).
Não obstante, todos estes benefícios apresentados estão dependentes, por conseguinte, do aproveitamento escolar de cada atleta. Tal como refere no n.º2 do artigo 17º, “no final de cada ano lectivo deve ser elaborado pelo professor acompanhante um relatório sobre o aproveitamento escolar de cada um dos praticantes que beneficiem das medidas de apoio previstas nos artigos anteriores, que deve ser enviado ao Instituto do Desporto”, para a avaliação da continuação de atribuição do estatuto.
O acesso ao ensino superior é também facilitado aos atletas que possuem o estatuto de alta competição. A validade deste benefício é de dois anos após o fim do usufruto desse estatuto e qualquer atleta, neste âmbito, poderá ingressar num curso superior, sem que tenha necessidade de ir a concurso nacional de ingresso (artigo 18º do decreto-lei n.º393-A/99 de 2 de Outubro).