deambulações sociológicas acerca do futebol

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Fora de campo


No Diário de Notícias do passado dia 2 de Maio, foi publicada uma reportagem sobre o desemprego no futebol, da jornalista Sílvia Freches. Como tal, não podia deixar de a comentar na bola de sonhos...

Várias histórias foram contadas neste trabalho... todas elas com capítulos semelhantes e com finais ainda sem fim. Ficou bem claro que a profissão de jogador de futebol não é uma profissão que garante futuros risonhos e desafogados (será que alguma vez garantiu?), destruindo o mito de que a maior parte dos jogadores vivem bem.

Percebe-se, claramente, que os jogadores não estão preparados para estas situações e que existem diversas lacunas no seu processo formativo. Estes novos desempregados não sabem como (re)agir a esta nova situação, pois foram formados para saber lidar com o sucesso e o insucesso desportivo (em termos de vitórias e derrotas da equipa que representam) e não o pessoal. O desemprego neste deporto aparece quase como um assunto tabu. Isto é, pode até ser abordada a possibilidade de não se tornarem profissionais, mas não a de se tornarem desempregados enquanto jogadores de futebol. Daí que muitos jogadores em situação de desemprego não assumam essa condição, bem como demonstram desconhecer os procedimentos para usufruir do subsídio de desemprego.

E porquê? Porque grande parte dos clubes que formam jovens jogadores tem ainda a única e objectiva preocupação de formar apenas atletas de futebol, negligênciando a formação de cidadãos, com competências ao nível social, pessoal e profissional que lhes permitam no futuro fazer face, de forma mais equilibrada, às situações de crise, como as descritas nesta reportagem.

Sem saber muito bem o que fazer, alguns optam por ir concluir os estudos (que também ficaram negligênciados durante a formação desportiva), através do Programa Novas Oportunidades, enquanto aguardam pela colocação num novo clube; outros arriscam emigrar...

O que me parece (mais uma vez) é que ainda há muito a fazer na formação de jovens atletas de futebol, por forma a minimizar estas consequências e a prever outros futuros profissionais. O trabalhos nas bases é essencial e, de facto é de pequenino, se torce o pepino!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Adiar, adiar, adiar... para quando o trabalho no terreno?

Desporto - Proposta contra violência no desporto: Parlamento adia votação

A Comissão Parlamentar de Educação e Ciência adiou para 14 de Abril a votação da proposta legislativa contra a violência no Desporto.O adiamento foi pedido pelo deputado Ribeiro Cristóvão por não terem sido "recebidas em cima da hora várias propostas de alteração".Denominada de "Medidas preventivas e sancionatórias” a proposta de lei prevê um agravamento das sanções e penas aplicadas aos infractores, medidas de prevenção em casos de violência, racismo e xenofobia nos recintos desportivos e controlo dos grupos organizados de adeptos.
Fonte: Infordesporto 08/04/2009

"Temos Talentos 2009"

O reconhecimento mediatico dos atletas é fundamental para o desenvolvimento de qualquer actividade desportiva. Sempre em conta e medida, a acção dos meios de comunicação social influi bastante na transformação das competições desportivas em espectáculos, de forma a serem apreciadas no tempo de lazer do espectador, como também de servirem de incentivo, especialmente para os mais novos, para a prática desportiva.
O caso da Vanessa Fernandes é um bom exemplo disso. O envolvimento mediático a volta das suas proezas contribuiu para a divulgação do triatlo em Portugal e para o aumento da sua procura por parte dos jovens, como se verificou na iniciativa "Temos talentos 2009", da Federação Portuguesa de Triatlo (http://www.cdp.pt/comunicacao-marketing/noticias-desporto/260-FTriatloP/7953-talentos-chamados-para-estagio-.html).

Por outro lado, a sua participação na publicidade das "Novas Oportunidades" parece-me também uma excelente estratégia para o incentivo à formação, para aqueles que, por diversos motivos (desportivos ou não), não tiveram possibilidade de completar o seu percurso académico.

terça-feira, 31 de março de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Precisa-se de uma "chuva de ideias" para o futebol português!


O "Pós e Contras" da passada 2.ª feira propunha-se a discutir a crise do futebol português: a crise financeira, a crise desportiva e a crise social do desporto-rei. Perante tal propósito advinhava-se um debate enriquecedor, atraente e impulsionador de reflexões que pudessem vir a contribuir para a tão ansiada reestruturação do futebol. Mas não. A troca de ideias prevista foi a maior parte do tempo substituída pela dicussão da final da Carlsberg Cup... Um"Prós e Contras", com mais contras do que prós:


- A jornalista e mediadora do debate, Fátima Campos Ferreira, deveria ter "estudado" um pouco mais o quadro organizacional e conceptual do futebol...

- De lamentar a não presença da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, da Federação Portuguesa de Futebol e de algum organismo representante do Estado Português (a Secretaria de Estado do Desporto, por exemplo). Se estes três organismos, detentores do capital organizacional e social do futebol nacional, não estão presentes em momentos como estes, em que se procura uma discussão híbrida de ideias e onde poderão demonstrar os seus propósitos neste âmbito, o que poderemos pensar? Que existe demasiada inércia nestas instituições? Talvez...

- E se estávamos à espera que, mesmo sem a presença destas três instituições desportivas, o debate fluísse de encontro aos objectivos do programa, eis que chega Filipe Soares Franco e o debate passa a centrar-se na final do passado Sábado...

Mesmo perante as circunstâncias adversas, a discussão lá ia surgindo, sendo apresentadas, pelos diferentes intervenientes, algumas razões e algumas consequências da crise do futebol português:
* Contextualização na crise financeira mundial;

* Avultados ordenados dos futebolistas de elite;

* Diminuição das receitas de bilheteira dos clubes, fruto da falta de adeptos nos estádios. E porquê? Porque há ao mesmo tempo uma diminuição do poder de compra dos portugueses, um aumento dos preços dos bilhetes para os jogos, execessiva trasmissão dos jogos na televisão, ... inúmeras razões poderão ser apontadas;

* Salários em atraso e falência dos clubes, que por sua vez gera desemprego tanto para os jogadores como para os restantes técnicos que desempenham funções nos clubes;

* Falta de trabalho conjunto e consensual entre os três principais clubes do campeonato nacional, em prol do desenvolvimento da competitividade necessária;

* Necessidade clara de um diagnóstico das necessidades emergentes no futebol português, quer a nível organizacional, com desportivo e social. Só assim se torna possível a elaboração de um modelo sustentável para o seu desenvolvimento;

* Falta de um mercado interno, na medida em que apenas o FCP, SCP e o SLB apostam na formação de talentos, o que se repercute no baixo número de transferências de jogadores portugueses;


Portanto, precisa-se de uma "chuva de ideias" para o futebol português! (Há quem as queira desenvolver, mas o Governo deverá também desbloquear e facilitar o desenvolvimento de projectos de investigação e análise das várias áreas que constituem o futebol português. Mas infelizmente, não é o que tem acontecido...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quando os sonhos se desvanecem...

Hoje estou em baixo... queria tanto trabalhar na área do desporto...tanto investimento académico e as oportunidades demoram a surgir...

Claro que não me posso queixar, tenho trabalho e gosto do que faço, mas não é "aquilo", não é a bola dos meus sonhos... procuro, procuro e a oportunidade não me encontra... enfim.

Mas não desisto, claro, tal como todos aqueles que têm sonhos, não podem desistir! Como tantos míudos que sonham ser grandes jogadores de futebol e com um estádio a gritar o seu nome!

Mas lá está, como sempre defendi nas minhas deambulações académicas esses sonhos têm de ser geridos, balizados, tal como o meu, de trabalhar num departamento de futebol e formação! Sonhos orientados e equilibrados, mas sempre alimentados! E é isso que tento fazer!

P.S: Parece que me faz bem escrever desta forma! ;)