O "Pós e Contras" da passada 2.ª feira propunha-se a discutir a crise do futebol português: a crise financeira, a crise desportiva e a crise social do desporto-rei. Perante tal propósito advinhava-se um debate enriquecedor, atraente e impulsionador de reflexões que pudessem vir a contribuir para a tão ansiada reestruturação do futebol. Mas não. A troca de ideias prevista foi a maior parte do tempo substituída pela dicussão da final da Carlsberg Cup... Um"Prós e Contras", com mais contras do que prós:- A jornalista e mediadora do debate, Fátima Campos Ferreira, deveria ter "estudado" um pouco mais o quadro organizacional e conceptual do futebol...
- De lamentar a não presença da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, da Federação Portuguesa de Futebol e de algum organismo representante do Estado Português (a Secretaria de Estado do Desporto, por exemplo). Se estes três organismos, detentores do capital organizacional e social do futebol nacional, não estão presentes em momentos como estes, em que se procura uma discussão híbrida de ideias e onde poderão demonstrar os seus propósitos neste âmbito, o que poderemos pensar? Que existe demasiada inércia nestas instituições? Talvez...
- E se estávamos à espera que, mesmo sem a presença destas três instituições desportivas, o debate fluísse de encontro aos objectivos do programa, eis que chega Filipe Soares Franco e o debate passa a centrar-se na final do passado Sábado...
Mesmo perante as circunstâncias adversas, a discussão lá ia surgindo, sendo apresentadas, pelos diferentes intervenientes, algumas razões e algumas consequências da crise do futebol português:
* Contextualização na crise financeira mundial;
* Avultados ordenados dos futebolistas de elite;
* Diminuição das receitas de bilheteira dos clubes, fruto da falta de adeptos nos estádios. E porquê? Porque há ao mesmo tempo uma diminuição do poder de compra dos portugueses, um aumento dos preços dos bilhetes para os jogos, execessiva trasmissão dos jogos na televisão, ... inúmeras razões poderão ser apontadas;
* Salários em atraso e falência dos clubes, que por sua vez gera desemprego tanto para os jogadores como para os restantes técnicos que desempenham funções nos clubes;
* Falta de trabalho conjunto e consensual entre os três principais clubes do campeonato nacional, em prol do desenvolvimento da competitividade necessária;
* Necessidade clara de um diagnóstico das necessidades emergentes no futebol português, quer a nível organizacional, com desportivo e social. Só assim se torna possível a elaboração de um modelo sustentável para o seu desenvolvimento;
* Falta de um mercado interno, na medida em que apenas o FCP, SCP e o SLB apostam na formação de talentos, o que se repercute no baixo número de transferências de jogadores portugueses;
Portanto, precisa-se de uma "chuva de ideias" para o futebol português! (Há quem as queira desenvolver, mas o Governo deverá também desbloquear e facilitar o desenvolvimento de projectos de investigação e análise das várias áreas que constituem o futebol português. Mas infelizmente, não é o que tem acontecido...