deambulações sociológicas acerca do futebol

sábado, 7 de novembro de 2009

As (novas) escolas de futebol

Há cada vez mais escolas de futebol, umas associadas aos clubes (independentes dos seus departamentos de formação), outras privadas. Esta nova realidade surge contemporaneamente em catapulta, disseminando-se por todo o lado e descentralizando os grandes clubes (por exemplo) dos seus espaços de origem. Abrem-se escolas de futebol por diversos pontos do país e do mundo aproximando a cultura clubistica e desportiva a muitas crianças e jovens, que até então considerariam que nunca teriam essa possibilidade.
Este novo cenário para a prática do futebol resulta da descoberta de um novo nicho de mercado pelos clubes, que vêm na sua expansão excelentes possibilidades económicas, desportivas e sócio-culturais. Económicas porque nestes novos espaços sociais é necessário pagar uma mensalidade para se ter acesso à prática desportiva (como já acontece noutras modalidades como a natação, o judo ou mesmo o ballet) e, sendo o futebol um desporto de massas e que atrai milhares de crianças e jovens, certamente que terá uma enorme procura e consequente mais valia económica; Desportivamente, os clubes passam a ter a prospecção mais organizada e delimitada, aumentando, logo à partida, a possibilidade de ter entre si possíveis talentos de futebol. Assim, fica também facilitado o processo de de passagem desses jogadores para o departamento de formação (que já tem objectivos diferentes). Do ponto de vista social, nestes casos, parece-me também que estas novas escolas de futebol poderão atrasar o afastamento precoce dos jovens talentos do seu meio familiar (a prática corrente - até agora - passa pela referência, por parte dos olheiros, de um jogador e, confirmado o seu valor desportivo, a sua integração nas academias dos clubes), dado que desta forma, esses mesmo jogadores, sinalizados como talentos, podem ser acompanhados desportivamente pelo clube que o pretende formar como seu jogador profissional, sem se afastarem do seu meio de origem. Essa passagem, pode assim acontecer apenas num momento em que seja mais propício e a mediação família-clube poderá ser feita de forma mais tranquila e minimizando-se os problemas que a mudança poderá causar no jovem atleta.
Não obstante, a idelogia do clube, o sentido de pertença passa a estar disseminado por um número muito mais alargado de crianças e jovens, o que, certamente interessa ao clube, enquanto marca.

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