Há cada vez mais escolas de futebol, umas associadas aos clubes (independentes dos seus departamentos de formação), outras privadas. Esta nova realidade surge contemporaneamente em catapulta, disseminando-se por todo o lado e descentralizando os grandes clubes (por exemplo) dos seus espaços de origem. Abrem-se escolas de futebol por diversos pontos do país e do mundo aproximando a cultura clubistica e desportiva a muitas crianças e jovens, que até então considerariam que nunca teriam essa possibilidade.
Este novo cenário para a prática do futebol resulta da descoberta de um novo nicho de mercado pelos clubes, que vêm na sua expansão excelentes possibilidades económicas, desportivas e sócio-culturais. Económicas porque nestes novos espaços sociais é necessário pagar uma mensalidade para se ter acesso à prática desportiva (como já acontece noutras modalidades como a natação, o judo ou mesmo o ballet) e, sendo o futebol um desporto de massas e que atrai milhares de crianças e jovens, certamente que terá uma enorme procura e consequente mais valia económica; Desportivamente, os clubes passam a ter a prospecção mais organizada e delimitada, aumentando, logo à partida, a possibilidade de ter entre si possíveis talentos de futebol. Assim, fica também facilitado o processo de de passagem desses jogadores para o departamento de formação (que já tem objectivos diferentes). Do ponto de vista social, nestes casos, parece-me também que estas novas escolas de futebol poderão atrasar o afastamento precoce dos jovens talentos do seu meio familiar (a prática corrente - até agora - passa pela referência, por parte dos olheiros, de um jogador e, confirmado o seu valor desportivo, a sua integração nas academias dos clubes), dado que desta forma, esses mesmo jogadores, sinalizados como talentos, podem ser acompanhados desportivamente pelo clube que o pretende formar como seu jogador profissional, sem se afastarem do seu meio de origem. Essa passagem, pode assim acontecer apenas num momento em que seja mais propício e a mediação família-clube poderá ser feita de forma mais tranquila e minimizando-se os problemas que a mudança poderá causar no jovem atleta.
Não obstante, a idelogia do clube, o sentido de pertença passa a estar disseminado por um número muito mais alargado de crianças e jovens, o que, certamente interessa ao clube, enquanto marca.